Juiz do Trabalho e ex-procurador de Estado e ex-advogado da União, Rogério Neiva tem no currículo, além das várias aprovações em concursos públicos, a experiência como professor na graduação e em cursinhos preparatórios para concursos públicos. Com base nesta trajetória profissional, Neiva lançou recentemente seu segundo livro, "Como se Preparar para Concursos Públicos com alto rendimento", pela Editora Método, no qual apresenta o Sistema Tuctor, criado por ele, que orienta os concurseiros a estudar com estratégia, planejamento e racionalidade.
Nesta entrevista, Rogério Neiva dá pinceladas sobre o que é o Sistema Tuctor e várias boas dicas e orientações àqueles que pretendem entrar para a carreira pública, além de desmistificar a necessidade de cursinhos preparatórios para o sucesso nos exames ou mesmo da dedicação exclusiva de tempo para os estudos.
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Visão Jurídica - Como passar em concurso público?
Rogério Neiva - A aprovação no concurso público depende de duas condições fundamentais, uma formal e outra material. A condição formal consiste no alcance da pontuação necessária, considerando os parâmetros do edital, ao passo que a condição material corresponde à disponibilidade intelectual e cognitiva das informações objeto das questões apresentadas pelo examinador, o que viabilizará a primeira.
Assim, o objetivo mediato da preparação para o concurso público corresponde, naturalmente, à aprovação, sendo que o objetivo imediato, e mais direto, da preparação deve consistir na apropriação intelectual e cognitiva das informações passíveis de solicitação pelo examinador no momento da prova.
VJ - Como organizar o estudo?
RN - Antes de falar em organizar o estudo, é preciso entender que o desenvolvimento adequado e eficaz da preparação para o concurso público exige a preocupação do candidato com aquilo que venho chamando de três dimensões fundamentais (da preparação), quais sejam: o planejamento, a aprendizagem e a gestão das condições emocionais, sendo necessária a compreensão sistêmica do referido processo por meio da atenção a todas.
Exatamente por isto venho procurando desenvolver um trabalho de orientação voltada à preparação para concursos a partir da articulação de elementos empíricos, decorrentes da minha experiência de candidato e professor, bem como de conceitos cientificamente construídos em campos do conhecimento voltados à gestão e ao complexo fenômeno da aprendizagem humana.
Porém, o planejamento vai muito além da montagem de grade, ao contrário do que imaginam muitos candidatos. A planificação dos estudos consiste na estruturação do planejamento estratégico e tático da preparação, o que tem como pilares a definição de objetivo (cargo ou cargos pretendidos), programa (matérias e conteúdos), fontes de estudo, levantamento do tempo e alocação de matérias no tempo disponibilizado.
VJ - Quantas horas são necessárias por dia e por semana?
RN - Esta é uma pergunta simples que exige uma resposta complexa. Complexa e não universal. Exatamente por isto construí uma metodologia própria e inédita que mensura o tempo para a execução do planejamento da preparação, inclusive indicando estimativas de prazos e tempo de estudos por matérias e por semana. Tal metodologia é executada em uma solução que desenvolvi denominada Sistema Tuctor. E a base da metodologia envolve exatamente os pilares do planejamento estratégico e tático. Cada candidato e cada planejamento contarão com duração e estimativas distintas. Por isso não é possível universalizar a resposta.
VJ - Qual a necessidade de descanso?
RN - O descanso é fundamental. E isto não se trata de uma questão de conselho de médico. Como um pesquisador e estudioso das ciências cognitivas, afirmo que, em termos neurofisiológicos, o descanso é fundamental à aprendizagem. Inclusive para consolidação de memórias de longo prazo.
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